COMO UMA ONDA
INTRODUÇÃO
Queremos acreditar que a vida é movida por “ondas existências” e que as
coisas mudam a todo instante, que nada vai se repetir.
Conforme a diz a música de Raul Seixas "eu prefiro ser essa metamorfose
ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...". Nesse
movimento constante, estamos mudando, sempre questionando, sempre procurando
crescer, sempre procurando evoluir.
Assim são nossos personagens, conseguem acompanhar as mudanças que ocorrem no
dia a dia da sociedade em que vivem e do mundo.
Antes moradores do campo, vivem numa fazenda um pouco isolados de todos,
lidando com gado e são pegos de surpresa com uma calamidade que os desestimulam
a continuar na zona rural. Vão morar na cidade, evoluída e barulhenta e
com todas as coisas boas e ruins da evolução atual. Lá abrem um comércio e são
“fisgados” pelas mudanças que ocorrem no cotidiano de suas vidas,
principalmente pelos avanços tecnológicos da internet.
O tempo é o atual, seus principais Seu Mundinho e Marina priorizam a narrativa,
contando com a mãe D. Sinhá, o jovem Rubens e a professora D. Almerinda, que
completam o enredo que ocorre em dois espaços: o campo (a fazenda) e a casa na
cidade. O narrador-observador apenas conta os fatos.
No campo
Raimundo Tavares, conhecido como Seu Mundinho, rico fazendeiro, criador de gado
leiteiro e de corte. Homem que preservava os costumes tradicionais. Não
permitia que sua filha única Marina fosse para a cidade, nem tampouco estudar
fora da área da fazenda. Assistir televisão somente aos domingos, ao lado dos
pais. Diariamente, D. Almerinda, professora experiente, ia à fazenda ensinar a
moça a ler, escrever e as primeiras noções de aritmética e conhecimentos
gerais.
Marina era uma garota meiga e obediente. Sempre acatava as ordens de seu pai e
da sua mãe, D. Sinhá. Era uma aluna interessada em aprender, queria conhecer
sobre as maravilhas do mundo.
As coisas começaram a ficar difíceis para os produtores de gado, pois na região
começou a surgir casos de febre aftosa que estava afetando o gado. Logo depois,
seu Mundinho foi comunicado que algumas de suas reses tinham contraído a febre,
por isso seu rebanho estava todo condenado.
A notícia pegou a família despreparada. Todo o rebanho seria exterminado. O
fazendeiro ficou apenas um velho cavalo seria perdido. Decepcionado seu
Mundinho decidiu que iria morar na cidade, não queria mais lidar com gado.
Temia apenas ter que conviver com os barulhos urbanos e as atitudes dos jovens
que só querem divertir-se, sem nenhuma preocupação e que poderiam influir no
comportamento de Marina, afinal ela iria continuar seus estudos numa escola da
cidade e teria contatos com outras moças da sua idade.
Na cidade
A menina Marina, que já estava com 16 anos, foi matriculada numa escola perto
da casa onde morava. A escola estava situada numa praça arborizada, onde tinha
bancos, uma quadra esportiva e uma área de brinquedos.
Seu Mundinho montou um armazém e começou a comercializar num imóvel vizinho à
sua casa. Para ajudá-lo, contratou Rubens, um jovem adolescente de 18 anos, que
para trabalhar, estudava à noite, cursando a 1ª série do Ensino Médio.
Quando saiam da escola, as colegas de Marina ficavam um tempo conversando no
banco da praça. Mas o pai de da moça não permitia. Deveria ir diretamente para
casa ao sair da aula. Não queria que a filha tivesse amizade com as moças, se
fosse rapaz, nem pensar!
Marina começou a pegar livros na biblioteca da escola e levar para ler em casa.
Lia escondido do pai. À medida que lia os livros, ia aprendendo novas coisas um
mundo novo ia se abrindo para a garota. Começou a entender vários assuntos que
antes não conseguia compreender. Lia de tudo, até sobre sexo. Assunto que antes
não poderia nem passar por sua cabeça.
Com
o tempo, Marina começou a comentar com os pais o que aprendia nos livros, porém
dizia ser coisa das aulas, assuntos até de como cuidar do armazém. Seu Mundinho
aplicava as ideias da filha no seu comércio e percebia que davam certo. Por
isso ele, começou a estimular Marina a ler mais sobre os assuntos que ele
necessitava.
A moça conseguiu convencer um pai a comprar um computador com acesso á internet
e isso foi uma atitude que mudou de vez o comportamento de seu Mundinho. A
menina mostrava para o pai as telas que falavam dos produtos que ele vendia, da
maneira de organizar o seu comercio, além de também mostrar a maneira correta
de atender os clientes.
Muitas vezes, D. Sinhá, pegava o marido “navegando” na internet, quando todos
da casa já deviam estar dormindo. Marina tinha ensinado ao pai com ligar o
computador e como ter acesso às páginas de navegação da “web”. Ele não tinha
muita leitura, estudara ate a 4ª série fundamental, mas conseguia ler as
páginas acessadas.
Com o tempo, todos
começaram a perceber que seu Mundinho estava mudando seu comportamento. Começou
a deixar sua filha a passear na praça com as colegas, convidava Rubens a
almoçar no final de semana com a família.
Rubens era um rapaz que trabalhava para ajudar sua mãe viúva. Ele não tinha
namorada, somente se preocupava em estudar, além do trabalho. Todos percebiam
que seu Mundinho procurava aproximar Rubens de Marina. Os dois jovens sentiam
alguma atração um pelo outro, porém mal se falavam, temendo a reação do seu
Mundinho. Mas esse medo aumentava ainda mais a atração de ambos.
Num final de semana em que Rubens foi convidado a almoçar na casa de Marina,
após o almoço, sentaram todos na varanda da casa. Seu Mundinho, no meio da
conversa, dirigindo-se aos jovens, comentou:
__ Eu acho que vocês dois deveriam namorar!
Todos ficaram surpresos. Os jovens entreolharam-se envergonhados, ficaram
mudos. O seu Mundinho então acrescentou:
__ Rubens, se você gosta de Marina, a partir de hoje pode namorá-la, tem minha
permissão. O mundo é bom, a vida é curta e a gente deve aproveitar e viver bem.
Marina, ainda surpresa, falou:
__ Paizinho, o que aconteceu com o senhor?
E seu Mundinho respondeu:
__ Minha filha, você é o que tenho de mais precioso. Sempre procurei protegê-la
de tudo e de todos. Desculpe minha ignorância. Mas aprendi, lendo no
computador, que quando colocamos um filho no mundo, este deixa de nos
pertencer. Ele faz parte do mundo e é este mundo que vai cuidar dele. As
transformações da modernidade faz-nos viver a nossa vida como uma onda, mudando
a cada dia.
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