OS DESAFIOS NA ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ÁREA ESCOLAR
José
Carlos de Anunciação Cardoso
No âmbito escolar se articula o conhecimento
com a realidade social, por isso se torna primordial que a escola procure
conhecer a realidade social dos seus alunos, a fim de que se aproxime do
universo familiar deste. Eis o principal
desafio da escola: preparar o indivíduo para a vida em sociedade. Conforme Amaro (1997), sendo a escola uma
reprodução social das classes, ela deve procurar estar em sintonia com as
realidades do aluno e da Comunidade em redor dela, respeitando suas realidades.
A materialização do Serviço Social na
educação, dessa forma, vem contribuir com ações que propiciem uma educação como
prática de inclusão social, formadora da cidadania dos indivíduos. O desafio do
Serviço Social, que trabalhará diretamente com a educação, será conscientizar a
comunidade escolar de vislumbrar a possibilidade de que se tornem conscientes e
sujeitas de sua própria história.
Conforme Amaro (1997), educadores e
assistentes sociais convivem com desafios semelhantes, tem a escola como ponto
de encontro para enfrentá-los. Diante da necessidade de fazer algo que
solucione os problemas sociais que repercutem e influenciam de forma negativa
no desempenho do aluno, levando o sistema educacional a recorrer aos
profissionais assistentes sociais.
Deve-se levar em consideração que os
profissionais de Serviço Social, ao ser inserido na escola, não irá desenvolver
ações que visem substituir aquelas que já são desempenhadas pelos tradicionais
profissionais da área educacional. A contribuição
do Serviço Social no âmbito educacional se dá de forma a subsidiar, auxiliar a
área educacional escola e os demais profissionais educacionais no combate às
questões que fazem parte da pauta da formação e da área do profissional do
Serviço Social, primordialmente aquelas questões sobre as quais a escola não
está preparada para atuar.
Tomando por base as considerações de
Martinelle (1998), pode-se concluir que o Serviço Social é uma profissão que
atua no sentido formativo de forma a revolucionar consciências, proporcionando
novas discussões, trabalhando as relações interpessoais e grupais. A
intervenção do assistente social é uma atividade que veicula informações,
trabalha com consciências, com a relação social, diante de mudanças sociais,
desenvolve atividades de articulação e operacionalização, de interação de
equipes, buscando estratégias de proposição e intervenção, resgatando a visão
de integralidade e coletividade humana e o real sentido da apreensão e
participação do saber, do conhecimento.
Desta forma, pode-se afirmar:
O campo educacional
torna-se para o assistente social hoje não apenas um futuro campo de trabalho,
mas sim um componente concreto do seu trabalho em diferentes áreas de atuação
que precisa ser desvelado visto que encerra a possibilidade de uma ampliação
teórica, política, instrumental da sua própria atuação profissional e de sua
vinculação às lutas sociais que expressam na esfera da cultura e do trabalho,
centrais nesta passagem de milênio (ALMEIDA, 2000, p.74).
O Assistente Social poderá também contribuir
no âmbito escolar atuando junto a equipes interdisciplinares, nas quais as
diferentes especialidades, as diversas formações profissionais, permitem uma
visão mais ampla dos problemas, compreensões mais consolidadas dos processos
sociais. O profissional do Serviço Social tem condições de apresentar propostas
de atuações efetivas, partindo do ponto de vista de resgatar a integralidade
humana e do verdadeiro significado histórico-social do conhecimento.
Segundo Amaro (1997), a interdisciplinaridade,
no ambiente escolar, representa estágios de superação do pensar fragmentado e
disciplinar, resultando-se na idéia de complementaridade recíproca entre as
áreas e seus respectivos saberes.
No ambiente escolar e no meio familiar
vivencia-se as principais questões sociais, tais como trabalho infantil,
desemprego, baixa renda, subemprego, fome, desnutrição, saúde e seus problemas,
habitações inadequadas, problemas com drogas, pais negligentes ou ausentes,
famílias com diversos problemas, violência doméstica, pobreza extrema, desigualdade
social, exclusão social, etc. Questões vivenciadas no dia-a-dia da escola e dos
alunos e de suas famílias. Corroborando o pensamento de Iamamoto, Essas
demandas emergentes, resultantes de questões sociais justificam a inclusão do
profissional do Serviço Social no meio educacional, inseridos neste ambiente
com a finalidade acolher e encaminhar as questões demandadas.
Com relação ao citado acima, Iamamoto (1998)
declara:
O desafio é
re-descobrir alternativas e possibilidades para o trabalho profissional no
cenário atual; traçar horizontes para a formulação de propostas que façam
frente à questão social e que sejam solidárias com o modo de vida daqueles que
a vivenciam, não só como vítimas, mas como sujeitos que lutam pela preservação
e conquista da sua vida, da sua humanidade. Essa discussão é parte dos rumos
perseguidos pelo trabalho profissional contemporâneo (IAMAMOTO, 1998, p.75).
Conforme a autora explícita acima é
indiscutível as funções que o assistente social exerce sobre as questões educativo-organizativas
sobre as classes trabalhadoras. Na escola seu papel não poderia ser diferente,
principalmente porque o trabalho do Profissional Social incide sobre o modo de
viver e de pensar da comunidade escolar, levando–se como ponto de partida as situações
vivenciadas em seu cotidiano, exatamente pelo caráter politico-educativo,
trabalhando diretamente com ideologias e dialogando com a consciência dos seus
usuários.
Constam
no livro elaborado pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS, 2001), “O
Serviço Social na Educação”, dados estatísticos onde revelam que cerca de 36
milhões de pessoas vivem nas cidades abaixo da linha de pobreza absoluta, e que
o nosso país ocupa o último lugar nos relatórios da ONU, o qual enfoca a
questão social. Tudo isso, conseqüentemente, se reflete em uma quantia de
aproximadamente 60% de alunos, que em determinadas regiões do Brasil, iniciam
seus estudos e não chegam a concluir a 8ª série do ensino fundamental (CFESS,
2001, p.11).
A escola cria naqueles que se encontram excluída
da sociedade a possibilidade de inclusão social, participar da sociedade em que
vive, como sendo um equipamento social. A escola deve estar preparada para as
diversas formas de manifestações que levem à exclusão social, que vão de
questões de violências, discriminações de todo o tipo, preconceitos, fraco
desempenho escolar. Situações que podem ser consequências da estrutura familiar
do aluno, das necessidades de renda da família, que levam o aluno a trabalhar, sacrificando seus estudos.
O assistente
social encontra muitos desafios ao atuar no cenário educacional. Conforme o
CFESS (2001), os problemas sociais a serem combatidos pelo assistente social na
área da educação são: baixo rendimento escolar, evasão escolar, desinteresse
pelo aprendizado, problemas com disciplina, insubordinação a qualquer limite ou
regra escolar, vulnerabilidade às drogas, atitudes e comportamentos agressivos
e violentos (CFESS, 2001, p.23).
No ambiente escolar, o Serviço Social tem
condições de colocar em prática as suas diretrizes, onde o profissional social
pode atuar de forma incisiva, perseguindo objetivos pré-estabelecidos. Segundo
Martins (1999), os objetivos da prática profissional do Serviço Social no setor
educacional são:
Contribuir para o
ingresso, regresso, permanência e sucesso da criança e adolescente na escola;
Favorecer a
relação família-escola-comunidade ampliando o espaço de participação destas na
escola, incluindo a mesma no processo educativo;
Ampliar a visão
social dos sujeitos envolvidos com a educação, decodificando as questões
sociais;
Proporcionar
articulação entre educação e as demais políticas sociais e organizações do
terceiro setor, estabelecendo parcerias, facilitando o acesso da comunidade
escolar aos seus direitos (MARTINS, 1999, p.60).
O
assistente social que atuar na escola, deverá saber trabalhar com programas
visando à prevenção. Não preocupar-se apenas se envolver com os temas meramente
sociais, mas preocupar-se em fazer com que haja o encontro da educação com a
realidade social do aluno, da família e da comunidade como um todo. Haja vista
que uma das maiores contribuições que o Serviço Social pode fazer na área
educacional é a inclusão ou aproximação da família no contexto escolar. Ideia
defendida por Martins (1999).
Assim, deve atuar junto às famílias, por meio
de ações e/ou de trabalhos de grupo com os pais, o assistente social pode
mostrar a importância da relação escola, aluno e família. O profissional social
terá condições de diagnosticar os fatores sociais, culturais e econômicos que
provocam os problemas sociais no campo educacional, podendo trabalhar com um
método preventivo, visando evitar a repetição do ciclo.
O assistente
social deverá trabalhar com ações educativas e não só com soluções de
problemas, entendendo que a educação se constitui em uma política social que
tem como compromisso garantir os direitos sociais, conseqüentemente podendo
apresentar uma ampliação do conceito de educação impregnado na sociedade atual.
Desta maneira, a prática do Serviço Social na escola se concretiza nas
seguintes atribuições:
- Melhorar as
condições de vida e sobrevivência das famílias e alunos;
- Favorecer a
abertura de canais de interferência dos sujeitos nos processos decisórios da
escola (os conselhos de classe);
- Ampliar o
acervo de informações e conhecimentos, a cerca do social na comunidade escolar;
- Estimular a
vivência e o aprendizado do processo democrático no interior da escola e com a
comunidade;
- Fortalecer as
ações coletivas;
- Efetivar
pesquisas que possam contribuir com a análise da realidade social dos alunos e
de suas famílias;
- Maximizar a
utilização dos recursos da comunidade;
- Contribuir com
a formação profissional de novos assistentes sociais, disponibilizando campo de
estágio adequado às novas exigências do perfil profissional (MARTINS, 1999,
p.70).
Na escola o Serviço Social se materializa
mostrando estar em condições de poder contribuir com a problemática social que
é perpassada no cotidiano da comunidade escolar (alunos, professores, pais,
funcionários), realizando orientações sociais, necessários encaminhamentos,
informações aos interessados, projetos de cunho educativo, que permitam
promover a cidadania, ações e projetos voltados para as famílias, etc.
Portanto, para que se possa atingir a criança
e o adolescente de maneira integral tornam-se importante que se faça
intervenções no contexto familiar, tanto no âmbito sócio-educativo, quanto de
momentos de ensino-aprendizagem e reflexão, que leva à participação, a
autonomia e á cidadania.
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