A perspectiva sociológica
Por: José Carlos de A. Cardoso
O
Homem na Sociedade
A
criança se surpreende ao perceber que pode se localizar e ser localizado por
meio de coordenadas como latitude e longitude. Aprende a se localizar na
sociedade, isto é, o pode fazer, o que pode esperar da vida. ”A criança sadia é aquela que acredita no que
está registrado em sua ficha escolar. O adulto normal é aquele que vive dentro
das coordenadas que lhe foram atribuídas” (p. 79). A pessoa passa a agir na
sociedade conforme um código estabelecido de poder e prestígio.
A
sociedade se utiliza de vários meios para controlar seus membros quando não
atuam de acordo com o código pré-estabelecido. Esses meios variam de acordo com
a finalidade e o grupo em questão, que pode ser eliminar os membros indesejáveis.
A violência, a pressão econômica são uns dos meios utilizados no controle
social. “A violência é o alicerce supremo
de qualquer ordem política” (p. 82).
Como
mecanismos de controle em grupos humanos são também utilizados persuasão,
ridículo, difamação e opróbrio. A persuasão age em se seguir a decisão da
maioria. “O ridículo e a difamação são
instrumentos potentes de controle social em grupos primários de todas as
espécies.” (p. 85). Muitas pessoas conduzem suas vidas preocupadas com a
visão dos seus vizinhos sobre suas condutas. O opróbrio é a pior das punições,
pois isola do grupo, o indivíduo que quebra as regras estabelecidas.
A
moralidade, os costumes e as convenções sociais são controles exercidos sobre a
pessoa individualmente. Há sanções para a imoralidade, a excentricidade ou o
anticonvencionalismo, que levam o transgressor a perda do emprego, o isola de
seus semelhantes ou ainda passam a considerá-los sem uma sanidade mental
perfeita, sem esquecer-se das ações policiais que arrastam as pessoas ao
prendê-las.
Há ainda os controles informais impostos por colegas de profissão, de
trabalho, como também no círculo familiar e dos amigos.
A
estratificação social, sistema de hierarquia da sociedade, pode contribuir para
se entender a localização na sociedade. Os diferentes níveis determinam as
diferentes posições dos indivíduos num mesmo grupo social. “O tipo de estratificação mais importante na
sociedade ocidental contemporânea é o sistema de classes.” (p. 92). Nesse
sistema há mobilidade social, onde uma pessoa de uma camada pode mudar de
posição. Apesar de que: “As diferentes classes de nossa sociedade não só vivem
de maneira diferente quantitativamente, como também vivem em estilos diferentes
qualitativamente.” (p.93). Um outro sistema de estratificação, mais cruel é o
sistema racial.
A
perspectiva sociológica apresentada conduz-nos a considerar a sociedade como
uma enorme prisão, pela opressão que e3xerce sobre o indivíduo. “O pensamento sociológico que se aproxima
dessa concepção da sociedade é o associado a Émile Durkheim à sua escola.
Durkheim ressaltava que a sociedade é um fenômeno sui generis, isto é, ele
representa uma realidade compacta que não pode ser reduzida a outros termos ou
para eles traduzida.” (p. 104).
A
sociedade no Homem
A
sociedade não pode ser vista como uma entidade que pressiona e coage o
indivíduo. Isso pode ser visualizado no conhecimento da sociedade e na sua analise sociológica. “A sociedade determina não só o que fazemos, como também o que somos”
(p. 107). Porque sempre queremos desempenhar o papel que a sociedade atribui a
nós, obedecer as regas estabelecidas por ela.
Na teoria do papel a sociedade é quem
determina o que cada um individuo faz realizar, a identidade individual é
atribuída a cada um. Cada personagem deve agir seguindo o planejado. Cada papel
conduz a uma identidade peculiar ao papel. “ A criança descobre quem ela é ao aprender o que é a sociedade. Aprende
a desempenhar os papéis que lhe são adequados, ao aprender a assumir o papel do
outro” (p. 112).
Cada
indivíduo não nasce com sua identidade, ela é atribuída pela sociedade em atos
de reconhecimento social, quando nos tornamos aquilo que os outros crêem que
somos. A identidade é atribuída pela sociedade e esta a sustenta regularmente,
mantendo a auto-imagem da pessoa sobre si mesma. Caso o reconhecimento da
identidade da pessoa seja retirada abruptamente ela terá uma radical mudança de
sua concepção em relação a si mesmo.
“O ‘eu’ deixa de ser uma entidade objetiva,
sólida, que se transfere de uma situação para outra. Será um processo, criado e
recriado continuamente em cada situação social de que uma pessoa participa,
mantido coeso pelo tênue fio da memória.” (p. 120)
“A
capacidade de transformação da personalidade depende não só do contexto social,
como também do grau de seu hábito a identidade anteriores e talvez também de
certos traços genéticos.” (p. 120).
Para as pessoas consideradas “normais” há fortes pressões da sociedade
para que sejam coerentes nos papéis que desempenham e nas suas identidades.
Essas pressões são externas e internas. “Toda
estrutura social seleciona as pessoas de que necessita para seu funcionamento e
elimina aquelas que de uma maneira ou de outra não servem.” (p. 124).
Portanto por meio de mecanismos de socialização e de formação a sociedade
manipula a pessoa de que necessita para funcionar.
Existe uma ideologia quando determinada idéia atende aos interesses da
sociedade. Geralmente as ideologias destorcem a realidade social com o objetivo
de mostrar o que lhe interessa. O pensamento ideológico consegue abranger
coletividades humanas muito bem maiores. ” A
ideologia marxista, por sua vez, serve para legitimar a tirania praticada pela
máquina do Partido Comunista, cujos interesses estão para os de Karl Marx assim
como os de Elmer Gentry estavam para os do Apóstolo Paulo.” (p. 126).
“O esforço moral necessário para
mentir deliberadamente está além da maioria das pessoas. É muito mais fácil
iludir a si próprio. Por conseguinte, é importante distinguir o conceito de
ideologia dos conceitos de mentira, fraude, propaganda ou prestidigitação. O
mentiroso, por definição, sabe que está mentindo: O ideólogo, não”. (p.
127)
Observamos que a sociedade modela nossa identidade, controla nossos
movimentos, nossos sentimentos e nossas emoções. A nossa consciência se
estrutura baseada nas estruturas da sociedade. Somos penetrados e envolvidos
pela sociedade, ao tempo que nos esmaga e aprisiona.
Referência
PETER,
Berger. A Perspectiva
Sociológica – O Homem na Sociedade. A Sociedade no Homem.
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